O Ministério Público do Rio Grande do Sul confirmou nesta sexta-feira (17) que o boletim de ocorrência por ameaça registrado pela mãe do menino Bernardo Boldrini, Odilaine Uglione, não constava no primeiro inquérito que investigava a morte dela, ocorrida em 2010. Cinco dias antes de morrer, a mulher procurou a polícia e disse que estava sendo ameaçada Elaine Rader Pinto, que trabalhou na casa dela entre 2007 e 2009.
Odilaine foi encontrada morta em fevereiro de 2010 na clínica do então marido, o médico Leandro Boldrini, com um tiro de arma de fogo. Na época, a polícia concluiu que ela cometeu suicídio, mas perícias particulares feitas a pedido da família levantaram a suspeita de que ela possa ter sido assassinada.
O inquérito foi reaberto neste ano a pedido do Ministério Público após a morte de Bernardo Boldrini chocar o país. Em 14 de abril de 2014, o corpo do menino de 11 anos foi encontrado enterrado em um matagal na área rural de Frederico Westphalen, a cerca de 80 quilômetros de Três Passos, onde ele residia com a família. Leandro é réu no processo. Ele e outros três acusados de participar da morte da criança estão presos e aguardam julgamento por crimes como homicídio qualificado e ocultação de cadáver, entre outros.
O Ministério Público ainda informou que a ocorrência policial deve fazer parte do inquérito instaurado neste ano sobre a morte de Odilaine. A promotoria que atua no caso só pretende se manifestar oficialmente sobre o novo fato quando a investigação for concluída.
No boletim de ocorrência feito na Delegacia de Três Passos, Odilaine relatou que estava sendo ameaçada e perseguida por Elaine Rader Pinto, ex-babá de Bernardo. Ela disse que recebeu pela internet quatro ameaças, enviadas pelo filho de Elaine, Maicon Rader Pinto.
Segundo o que Odilaine contou à polícia, o jovem teria dito que ela deveria adicioná-lo como “amigo eterno”, dando a entender que a mataria. Em outra ameaça, feita pelo celular enquanto Odilaine estava em uma padaria, Maicon diz para ela aproveitar bem o lanche porque seria o último. A ocorrência diz ainda que Elaine mandou um recado por uma mulher desconhecida para avisar que mãe de Bernardo seria infernizada até o fim.
A delegada que investigou a morte em 2010, Caroline Bamberg não quis falar sobre o assunto. Entretanto, o responsável pela nova investigação, delegado Marcelo Lech, diz que esse novo elemento pode ajudar a esclarecer a morte.
“O fato noticiado pela senhora Odilaine no registro de ocorrência pode ser caracterizado como ameaça sim. Este elemento de informação, assim como todos os outros, serão devidamente verificados e investigados”, disse Lech.
O delegado disse que as pessoas citadas no boletim de ocorrência de Odilaine serão chamadas para prestar depoimento.
A existência do boletim de ocorrência surpreendeu o advogado da mãe de Odilaine Uglione. Ele declarou que essa informação não parece no inquérito que concluiu que a mulher se matou com um tiro na boca.
A polícia já descobriu que Odilaine contratou um detetive particular para investigar o então marido, o médico Leandro Boldrini. O detetive fez um dossiê com provas de que Leandro, mesmo casado, já se relacionava com outras mulheres, entre elas Gracieli Ugulini, que está presa acusada de matar Bernardo com uma injeção letal. Todo o material foi entregue para Odilaine, que decidiu se separar.
Antes de a mulher morrer, o casal estava se encaminhando para um acordo. Com o divórcio, o patrimônio seria dividido. Odilaine iria receber R$ 1 milhão, além de uma pensão.
Nova versão
O MP pediu a reabertura do inquérito à Justiça e justificou que os laudos particulares, confeccionados a pedido de Jussara Uglione, mãe da vítima, trazem novos fatos, imputando à secretária do consultório a confecção de uma carta suicida e colocando, inclusive, uma terceira pessoa dentro da sala de atendimento em que ocorreu o fato, onde, em tese, estariam apenas Leandro Boldrini e Odilaine Uglione.
Com o pedido de reabertura do inquérito, o MP encaminhou requisição de diversas diligências à polícia, em especial realização de perícia grafodocumentoscópica (quando se examina a grafia de um documento para avaliar autenticidade ou falsidade) na carta suicida, reprodução simulada dos fatos, depoimento de pessoas que estavam no consultório na data e horário do fato e que compareceram ao local depois e complementação de perícia já realizada, entre outras diligências.
Fonte: G1
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