Ou faz parte do grupo que desperdiça 40 mil toneladas de alimentos por dia no Brasil?
Você já parou para pensar que a comida que sobra na sua casa falta no prato de alguém? Após as refeições, a grande maioria das pessoas joga fora o que sobrou da comida. Mas aproveitar o alimento ao máximo é cada vez mais importante em um mundo que desperdiça 15 milhões de toneladas de alimentos por ano. Essa quantidade seria suficiente para suprir a demanda alimentar de 19 milhões de pessoas diariamente. Poderia, também, saciar toda a população da região norte do Brasil, ou de países como Chile e Nova Zelândia. De acordo com Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) Francisco Turra, O Brasil está entre as 10 nações que mais desperdiçam alimentos no planeta.
“A cada dia, 40 mil toneladas de alimentos são jogadas fora por aqui. No mundo, segundo a ONU, cerca de 1,3 bilhões de toneladas têm esse destino — nada menos do que 30% da produção global. Uma perda que ocorre da colheita à casa do consumidor, por diversas razões: danos durante o manuseio e transporte, falhas no armazenamento e descarte pela imperfeição visual, entre outras”, explica Turra. Ele afirma que o efeito no bolso da população, muitas vezes, não é percebido, mas é alarmante, pois, por exemplo, uma compra de R$ 1 mil se traduz em uma perda de R$ 330,00. “As consequências também são sentidas no ambiente. A produção de alimentos não consumidos ocupa uma área que equivale ao tamanho do México – além de utilizar 24% de toda a água empregada no campo. O prejuízo total à economia internacional chega a R$ 3 trilhões” enfatiza o presidente da ABPA.
Os números englobam também o desperdício com talos, folhas e cascas de frutas e vegetais, que podem ser usadas em centenas de receitas. Além do reaproveitamento, há benefícios para a saúde pois esses que seriam as sobras têm grande valor nutricional, desde que sejam orgânicos, livres de veneno. Ainda, o arroz que sobrou de uma refeição pode virar bolinhos, do feijão que sobrou pode-se fazer um revirado, com a carne assada e a carne moída que sobraram é possível fazer croquetes, recheios de tortas e pastéis. A produtora Clarice do Nascimento, de Lajeado Jacutinga, de Horizontina, por exemplo, diz que das folhas de couve e outras hortaliças faz bolinho, das frutas que têm algumas partes estragadas, aproveita a parte boa para fazer geléia e suco. “Tudo é reaproveitado, não jogamos nada fora e ainda economizamos”.
Apesar de já estar se popularizando a ideia de que esses resíduos aparentemente inúteis podem ser aproveitados de diversas maneiras, há ainda muito o que conscientizar e agir. Francisco Turra enfatiza que é preciso reduzir drasticamente o desperdício e garantir que todos tenham acesso à alimentação. “Mas precisamos de muito mais. E o Brasil, por sua posição privilegiada no cenário global, pode capitanear esse processo. Somos o quarto maior exportador na agropecuária, com um performance de destaque na proteína animal, ocupando a liderança em carne de frango e o quarto lugar na suína. Temos condições climáticas favoráveis, altos índices de produtividade e produção sustentável, capaz de atender a demanda interna e o mercado de mais de 150 países. É hora de, a partir de nossa vocação, também tomarmos a frente na luta contra o desperdício. Governos, empresas, agricultores e consumidores, cada um deve fazer sua parte. Com união e uma nova atitude, será possível vislumbrar um futuro em que haja alimento para todos”.
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