Quinta-feira 17/09

Você reaproveita os alimentos?

26 de junho de 2017

Ou faz parte do grupo que desperdiça 40 mil toneladas de alimentos por dia no Brasil?

Você já parou para pensar que a comida que sobra na sua casa falta no prato de alguém? Após as refeições, a grande maioria das pessoas joga fora o que sobrou da comida. Mas aproveitar o alimento ao máximo é cada vez mais importante em um mundo que desperdiça 15 milhões de toneladas de alimentos por ano. Essa quantidade seria suficiente para suprir a demanda alimentar de 19 milhões de pessoas diariamente. Poderia, também, saciar toda a população da região norte do Brasil, ou de países como Chile e Nova Zelândia. De acordo com Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) Francisco Turra, O Brasil está entre as 10 nações que mais desperdiçam alimentos no planeta.

“A cada dia, 40 mil toneladas de alimentos são jogadas fora por aqui. No mundo, segundo a ONU, cerca de 1,3 bilhões de toneladas têm esse destino — nada menos do que 30% da produção global. Uma perda que ocorre da colheita à casa do consumidor, por diversas razões: danos durante o manuseio e transporte, falhas no armazenamento e descarte pela imperfeição visual, entre outras”, explica Turra. Ele afirma que o efeito no bolso da população, muitas vezes, não é percebido, mas é alarmante, pois, por exemplo, uma compra de R$ 1 mil se traduz em uma perda de R$ 330,00. “As consequências também são sentidas no ambiente. A produção de alimentos não consumidos ocupa uma área que equivale ao tamanho do México – além de utilizar 24% de toda a água empregada no campo. O prejuízo total à economia internacional chega a R$ 3 trilhões” enfatiza o presidente da ABPA.

Os números englobam também o desperdício com talos, folhas e cascas de frutas e vegetais, que podem ser usadas em centenas de receitas. Além do reaproveitamento, há benefícios para a saúde pois esses que seriam as sobras têm grande valor nutricional, desde que sejam orgânicos, livres de veneno. Ainda, o arroz que sobrou de uma refeição pode virar bolinhos, do feijão que sobrou pode-se fazer um revirado, com a carne assada e a carne moída que sobraram é possível fazer croquetes, recheios de tortas e pastéis. A produtora Clarice do Nascimento, de Lajeado Jacutinga, de Horizontina, por exemplo, diz que das folhas de couve e outras hortaliças faz bolinho, das frutas que têm algumas partes estragadas, aproveita a parte boa para fazer geléia e suco. “Tudo é reaproveitado, não jogamos nada fora e ainda economizamos”.

Apesar de já estar se popularizando a ideia de que esses resíduos aparentemente inúteis podem ser aproveitados de diversas maneiras, há ainda muito o que conscientizar e agir. Francisco Turra enfatiza que é preciso reduzir drasticamente o desperdício e garantir que todos tenham acesso à alimentação. “Mas precisamos de muito mais. E o Brasil, por sua posição privilegiada no cenário global, pode capitanear esse processo. Somos o quarto maior exportador na agropecuária, com um performance de destaque na proteína animal, ocupando a liderança em carne de frango e o quarto lugar na suína. Temos condições climáticas favoráveis, altos índices de produtividade e produção sustentável, capaz de atender a demanda interna e o mercado de mais de 150 países. É hora de, a partir de nossa vocação, também tomarmos a frente na luta contra o desperdício. Governos, empresas, agricultores e consumidores, cada um deve fazer sua parte. Com união e uma nova atitude, será possível vislumbrar um futuro em que haja alimento para todos”.

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